Relações históricas

Durante muito tempo, a Suécia e Portugal fizeram os seus contactos cada um por seu lado. Quando a arte de construção naval atingiu o nível de realizar os sonhos de viagens longínquas, os vikings suecos dirigiram os seus navios rumo leste, enquanto os portugueses se fizeram aos oceanos. Pouco a pouco, ambos os países viriam a tornar-se senhores de grandes impérios, que com o tempo, não tiveram a capacidade de defender, a Suécia no continente europeu, e Portugal noutros continentes.

Já no século dezasseis, iniciaram-se contactos de política comercial, se bem que haja pouca documentação nesta matéria. A meio desse mesmo século, alguns navios navegavam até Portugal, regressando com carga de sal. 

Depois de ter sido assinado um acordo comercial no ano 1641 entre os países, a Suécia exportava canhões e mosquetes, ferro em barras, alcatrão e breu assim como artigos de madeira para mastros e material de construção. Isto em troca de, entre outras coisas, sal, azeite e açucar. O comércio prosseguiu entre os países, se bem que as discussões em curso sobre o alargamento do comércio  fossem perturbadas pelo desejo da Suécia de também fazer comércio directamente com as colónias portuguesas. 

Durante o século dezoito, navios suecos, que navegavam igualmente por conta da Companhia das Índias Orientais, acostavam regularmente em Lisboa, Porto e Setúbal. Durante o terramoto em Lisboa do ano 1755, o navio "Sverige" encontrava-se no porto, e tentou receber a bordo o máximo número possível daqueles que procuravam salvar-se entre os navios do porto. Para um dos tripulantes, que mais tarde escreveria as suas memórias, o terramoto foi "o acontecimento mais infeliz que alguma vez se possa ver". 

Os contactos diplomáticos entre os países exprimiram-se, entre outras formas, através de um dos representantes da Suécia em Lisboa, o pastor e Conselheiro de Legação Carl Israel Ruders, que escreveu cerca de quarenta cartas que foram compiladas num livro com o título "Viagem em Portugal 1789 – 1802". Este foi considerado de tal interesse que no ano 1981 foi também editado em português (Editora da Biblioteca Nacional). 

Demorou até 1960, até que as relações luso-portuguesas se estabelecessem verdadeiramente. Nessa altura, Portugal e Suécia fundaram a organização de comércio livre EFTA juntamente com cinco outros países – Dinamarca, Noruega, Suiça, Grã-Bretanha eAustria. Isto em reacção ao facto de os países do Benelux, a Itália, França e Alemanha Federal terem criado a comunidade europeia que precedeu a UE. A cooperação no seio da EFTA teve, entre outras consequências, a de várias empresas suecas transferirem a sua produção para Portugal. 

Já antes de Portugal, nas eleições de 1975 ter abandonado a dictatura, e se ter tornado uma democracia parlamentar, havia contactos bem estabelecidos entre os políticos dos dois países, entre outros, entre os então Primeiro-Ministros Tage Erlander e Olof Palme e o futuro Primeiro-Ministro (e Presidente da República) de Portugal, Mário Soares. Estabeleceram as bases de uma cooperação que viria a deselvolver-se cada vez mais. 

Quando a Suécia em 1995 aderiu à União Europeia, Portugal já fizera parte da Comunidade Europeia há nove anos. Agora que os dois países são membros, a colaboração entre ambos é mais próxima do que nunca. 

O Instituto Sueco em Estocolmo editou no ano de 2000, uma publicação sobre as relações luso-suecas de hoje e através dos séculos. Tem o nome "Suécia e Portugal", e poderá ser requerido na Embaixada da Suécia em Lisboa.